
O novo dono da Parmalat
Conheça Marcus Elias, controlador de um fundo de investimento que acaba de comprar a empresa no Brasil. Sua ambição é se transformar no rei do leite
As linhas mestras do plano de resgate já foram definidas. Em primeiro lugar, haverá poucas mudanças no quadro diretivo. Um bom exemplo disso é a manutenção de Othniel Rodrigues Lopes no cargo de superintendente. Elias também pretende adotar um plano agressivo de remuneração, baseado no cumprimento de metas. Com isso, espera elevar a auto- estima da equipe. “Uma companhia bem capitalizada e bem gerida possui vantagens competitivas em relação às demais”, filosofa. Tamanho empenho faz todo sentido. É que, apesar de possuir ativos até na Polônia – a rede atacadista de alimentos Eurocash –, a Laep tem na Parmalat a maior tacada de sua história. A empresa poderá re-presentar uma virada na carreira de Elias e de seus sócios, que deixaram posições em bancos de investimentos, na década de 90, para tentar carreira solo. Na lista de corporações que já estiveram sob seu comando figuram: Unidas Rent a Car, Camil Alimentos, GDC Alimentos (Gomes da Costa) e TendTudo, rede de material de cons-trução. “Jamais conheci o fracasso. Todas as nossas tacadas foram certeiras e isso vai se repetir com a Parmalat”, diz o imodesto Elias.
Pode parecer arrogância, mas não deixa de ser verdade. É que apesar do pequeno tamanho, a Laep tem a possibilidade de levantar junto aos parceiros até US$ 300 milhões. Sob o comando de Elias, a rentabilidade das empresas geridas pela Laep oscilou entre 30% e 200% ao ano. Com um currículo dessa envergadura, ele se sentiu à vontade para enfrentar pesos-pesados do setor financeiro (o fundo GP Investimentos, com patrimônio de US$ 1 bilhão) e do segmento lácteo (o Grupo Lala, do México, que fatura US$ 1,5 bilhão) na briga pela Parmalat. Elias venceu a parada graças à sua habilidade de negociador, reconhecida até pelos desafetos. “Ele tem paciência para discutir, por horas a fio, as questões mais complexas”, diz um dos executivos que participaram da disputa.
Foi assim que ele convenceu os bancos credores da Parmalat a trocar um débito de R$ 900 milhões por um cheque à vista no valor de R$ 120 milhões, um deságio de 87%. Para isolar os mexicanos da Lala, o financista se aliou à Perdigão. A processadora de carnes entrou em cena porque tinha interesse em ficar com a Batavo (da qual a Parmalat controlava 51%). Pagou R$ 101 milhões. Elias usou o dinheiro da Perdigão para inteirar o valor necessário para quitar a fatura com os bancos. O “casamento” Perdigão-Laep foi patrocinado pelo Banco Pactual, contratado para intermediar a venda. Resumo da ópera: Elias ficou com a Parmalat, fazendo um desembolso de R$ 20 milhões, além de usar um dos ativos do próprio grupo, as ações da Batavo, para se livrar dos papagaios. Uma jogada de mestre.
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